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Sem previsão para obras na rodovia MG-280

O debate sobre a necessidade de asfaltamento da rodovia MG-280 que liga, entre outras cidade, Paula Cândido a Divinésia, aconteceu, no último dia 19, em audiência conjunta das comissões de Educação, Ciência e Tecnologia; Agropecuária, Agroindústria, Saúde e Direitos Humanos da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais). A reunião contou com a participação de prefeitos das cidades afetadas, autoridades religiosas e lideranças populares.
A solicitação foi feita pela presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), com o intuito de cobrar esclarecimento do Governo Estadual sobre dois trechos que ainda não foram asfaltados. O primeiro fica entre as cidades de Paula Cândido e Divinésia e tem 14 quilômetros de extensão, com obra estimada em R$ 22 milhões; já o segundo, entre Dores do Turvo e Alto Rio Doce, tem extensão de 26 quilômetros e está orçado em R$55,8 milhões.
O prefeito de Viçosa, Ângelo Chequer, participou da audiência e foi incisivo ao dizer que a população tem convivido apenas com a poeira e o barro dia após dia. Para ele, a responsabilidade pelos prejuízos é de todos os governantes que já administraram o Estado, inclusive de Romeu Zema (Novo) que assumiu recentemente a gestão.
“Só em Viçosa, temos 22 mil estudantes que precisam circular. Acesso por estrada asfaltada é o mínimo que se pode esperar do governo de um estado rico como Minas. É uma vergonha um pai de família, que quer viver de seu trabalho, não ter dignidade para circular e ir vender o seu produto. E eu acredito que isso só vai sair na base da pressão”, ressaltou Ângelo Chequer.
Já o prefeito de Paula Cândido, Marcelo Rodrigues da Silva, afirmou que a Zona da Mata está morrendo há mais de 30 anos e que a obra seria uma dose pequena do remédio que poderá dar sobrevida à economia local. Naquele município, mais de mil pessoas buscam trabalho em Ubá e as empresas moveleiras já demonstraram interesse em investir em Paula Cândido, desde que o acesso à cidade seja asfaltado.
O coordenador estadual do MAB (Movimento dos Atingidos pelas Barragens), Padre Antônio Claret Fernandes, representante da população, salientou que todos têm conhecimento das dificuldades financeiras do Estado e que várias desculpas já foram ouvidas ao longo desses anos. “Sabemos que essas obras dependem de uma coisa só: vontade política. E quando as autoridades se somam ao povo organizado, a força é muito grande”.
O diretor geral do DEER/MG (Departamento de Edificações e Estradas e Rodagem de Minas Gerais), João Afonso Baeta Costa Machado, participou da audiência e informou que as obras para os dois trechos estão contratadas e dependem apenas da ordem de execução para serem executadas. Contudo, elas só serão expedidas mediante disponibilidade orçamentária. Ele afirmou ainda que o DEER/MG irá transmitir a Seinfra (Secretaria De Estado De Infraestrutura e Mobilidade) a importância dessas rodovias, para que ela receba a devida atenção.
Alguns encaminhamentos foram solicitados, como a revisão do plano de infraestrutura, do cronograma financeiro do Estado e dos repasses da União para o ano de 2019. Além disso, foi proposto que as aplicações dos recursos previstos para o próximo ano sejam destinadas prioritariamente às obras. Foi também solicitado a visita técnica ao governador, para que a situação seja esclarecida aos afetados. Ângelo Chequer sugeriu ainda que os prefeitos dos municípios afetados abram processo judicial para que o dinheiro do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) seja liberado após a realização das obras.
A audiência pública contou também com a presença de vereadores e do prefeito de Dores do Turvo Valdir Ribeiro de Barros e autoridades do Alto do Rio Doce. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) lamentou a ausência injustificada de representantes das Secretarias de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), de Educação (SEE) e de Desenvolvimento Econômico (Sede).


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HISTÓRICO
Representantes da população dos municípios estão mobilizados, desde 2015, por meio da Comissão Pró-Asfalto, para providenciar o asfaltamento da via junto ao Governo Estadual. Segundo eles, no período chuvoso os trechos sem asfaltamento ficam intransitáveis e o transporte escolar é interrompido por semanas, penalizando alunos do ensino básico e pré-escolar, das universidades e centros federais.
Os membros da Comissão Pró-Asfalto ressaltam ainda que vidas são colocadas em risco em função do tempo de deslocamento para outros centros de tratamento e cirurgias. Há ainda prejuízos econômicos, por exemplo, para os produtores de leite que são obrigados a descartar o produto, quando os laticínios não conseguem recolhê-lo.
A MG-280 é utilizada como acesso para as universidades federais de Viçosa, Ouro Preto, Juiz de Fora, São João del-Rei e os institutos federais de Rio Pomba, Ubá, Santos Dumont e Barbacena.

 

Autor: Folha da Mata

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