Jornal Folha da Mata - Viçosa / MG

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A guerra entre duas facções criminosas que controlam o tráfico de drogas em algumas regiões de Viçosa e têm núcleo nos distrito de Cachoeira de Santa Cruz e São José do Triunfo, fez mais duas vítimas este final de semana.

Um dos grupos é comandado por Osmara Bruni e o outro, era comandado por Aleksandro Alexandre de Andrade, morto no último dia 6 de abril.

Assassinato no Reião - Almir Roge da Cruz, 25, foi morto a tiros por volta do meio dia na travessa Santana (Reião).
Segundo a polícia, ele foi alvejado por disparos de arma de fogo que lhe perfuraram a coxa esquerda, o peito, a nuca e duas vezes as costas.
Segundo testemunhas, Almir, que é morador do distrito de Cachoeira de Santa Cruz, estava jurado de morte e nos últimos dias, pernoitava em locais diferentes, receoso de ser assassinado.
Ainda segundo a polícia, Almir é conhecido no meio policial por seu envolvimento em crimes e seus familiares chegaram a afirmar que ele era usuário de droga e já havia sido internado diversas vezes em clínicas de recuperação, mas nunca conseguiu deixar o vício que o levava a conviver com pessoas envolvidas em crimes e também furtava e roubava. Testemunhas informaram também que Almir pertencia à facção criminosa comandada por Osmara Bruni, de Cachoeirinha, que está em guerra com os criminosos do outro distrito, por retaliação a outros assassinatos ocorridos nos últimos dias pelo controle da venda de drogas em importantes pontos da cidade.
Após periciar a cena do crime, o perito liberou o corpo para ser encaminhado ao IML de Ubá (Instituto Médico Legal).

 

Assassinato em Cachoeirinha

No mesmo horário, Bysmark Rodrigues Batista, 18, foi assassinado a tiros no distrito de Cachoeira de Santa Cruz (Cachoeirinha), em Viçosa.
Dois homens armados chegaram ao local numa motocicleta Honda/CG verde, armados de pistolas e efetuaram os disparos que mataram a vítima.
Em seu corpo o perito encontrou oito perfurações provocadas por disparos de arma de fogo, de calibre 9 milímetros.
Testemunhas informaram ao Folha da Mata que a vítima participava de um churrasco em via pública, na rua Antônio Euflozino, Cachoeirinha, quando foi surpreendida pelos agressores. O passageiro desceu da moto com a pistola em mãos e efetuou os disparos antes de fugir no sentido ao distrito de São José do Triunfo. Anônimos delataram à polícia a identidade dos dois criminosos, dizendo que o crime foi uma retaliação pela morte de Jonas Freitas Matias (Sauá), ocorrida no último dia 2. Testemunhas disseram à polícia que o crime já era esperado por seus familiares, já que a vítima também estava jurada de morte.

 

Morte de Aleksandro desencadeou sequência de assassinatos

 

Aleksandro Alexandre de Andrade, 31, rival da quadrilha de Osmara, foi morto a tiros na quinta-feira, 6 de abril deste ano. Seu corpo foi encontrado em uma estrada vicinal, paralela à rodovia que liga o distrito de Cachoeira de Santa Cruz (Cachoeirinha), em Viçosa, à cidade de São Miguel do Anta. Segundo a polícia, uma testemunha encontrou o corpo da vítima, que havia saído há pouco, depois de ter recebido uma ligação telefônica. A vítima disse que iria buscar algo e saiu de casa já de capacete, quando foi apanhado por outro homem que parou uma motocicleta, longe da casa da vítima, por volta das 7 horas da manhã. Uma hora e meia depois, populares acionaram a polícia dando conta de que o corpo de Aleksandro estava caído, morto, naquela localidade.
Um perito técnico esteve no local, e, após os trabalhos de praxe, informou que o corpo da vítima apresentava quatro perfurações causadas por projétil de arma de fogo, que atingiram o pescoço, a face e parte superior da cabeça. Na cena do crime não foram encontradas nem cápsulas, nem projéteis de arma de fogo, dando conta de que a arma usada no crime seria um revólver, aparentemente, de calibre 38.
Amigos da vítima disseram que ela teria saído de casa armada, usando cordões e pulseiras de prata, que foram roubadas pelos assassinos, que ainda postaram nas redes sociais, vídeos do momento que a vítima estava caída, sem vida, e os marginais arrancavam dela os seus pertences. Um vídeo chegou a ser divulgado nas redes sociais mostrando a violência dos assassinos na hora do crime, revelando que eles roubaram os pertences da vítima após o assassinato.
Segundo a polícia, a divulgação deste vídeo teria sido o estopim das mortes seguintes.

 

As duas morte são desdobramentos do assassinato de Sauá

 

 

Jonas Freitas Matias foi assassinado com diversos tiros por volta das 10 horas de terça-feira, 2, no distrito de São José do Triunfo (Fundão), onde morava. Segundo a polícia, ele transitava em sua motocicleta quando foi perseguido por dois homens que estavam numa motocicleta Honda/CG vermelha e o abordaram, atirando, quando ele chegava ao distrito, vindo de Viçosa.
Os assassinos o perseguiram, atirando, pelas ruas do distrito, só parando depois que Sauá caiu da moto, nas proximidades da rua São Lourenço. Ele bateu, atravessou uma cerca de bambu e caiu num terreno.
Sauá foi socorrido por familiares e encaminhado ao Hospital São João Batista, onde deu entrada e acabou falecendo.
Em seu corpo foram encontradas quatro perfurações nas costas e uma, próxima ao mamilo direito. Sua motocicleta foi retirada da cena do crime por seus familiares, enquanto seu aparelho celular foi recolhido pela polícia.
Jonas possuiu diversas passagens pela polícia, por tráfico, homicídio e pertencia à quadrilha chefiada por Osmara Bruni.
Ele chegou a ser preso por ser, segundo a polícia, mandante do incêndio criminoso que destruiu um ônibus coletivo nas proximidades do Fundão, em 20 de julho de 2016.


Ainda segundo a polícia, Sauá é apontado como autor de assassinatos na região de Viçosa.
Em um dos crimes, ocorrido em junho de 2013, Yuri Stefan Jaceba Neves, 17, estava num ponto de ônibus do distrito de Cachoeira de Santa Cruz (Cachoeirinha) em Viçosa, juntamente com dois amigos, quando dois homens numa motocicleta preta se aproximaram e o carona atirou e alvejou Yuri, que tentou fugir, mas caiu em um matagal próximo, já sem vida.
Jonas Sauá, que na época do crime tinha 19 anos, foi apontado como um dos autores do crime, sendo ele o homem que atirou na vítima.
Saúa foi preso em flagrante, pouco depois do crime e seu comparsa, logo depois. Segundo a polícia, a mandante do crime seria Osmara Bruni Miguel. Numa casa revistada pela polícia, que pertence à quadrilha a polícia encontrou um facão, usado para matar no dia 8 de junho de 2013, Júlio Cezar de Oliveira Maurílio, na época com 27 anos. Ele também foi morto no distrito de São José do Triunfo.

Prisão de Bruno Camilo - Bruno Diogo Camilo, 21, foi preso pela polícia pouco depois do assassinato de Jonas Sauá. Testemunhas informaram à polícia terem visto ele e outro homem passando pela rua onde Sauá foi morto, numa motocicleta Honda/CG. As testemunhas revelaram ainda que o suspeito chegou a parar a motocicleta próximo ao local onde Sauá havia caído, baleado, para se certificar de que ele estava morto. Bruno foi encontrado pela polícia em sua casa, no bairro Novo Silvestre, em Viçosa, onde negou participação no crime. Ele chegou a apresentar um álibi, alegando que ambos estariam em casa na hora do crime, mas mesmo assim ele foi preso e conduzido à delegacia, onde o flagrante foi ratificado e ele encaminhado ao Presídio de Viçosa. O álibi apresentado por Bruno não foi encontrado pela polícia, que está à procura do segundo envolvido no crime.

Segundo a polícia, existe uma lista com nomes de pessoas juradas de morte, pelos dois bandos rivais.

 

Mais mortes
Carlos Augusto das Chagas Júnior, 19, foi morto a tiros e golpes de faca por volta das 15 horas de quarta-feira, 3, na estrada que liga a comunidade do Sapé à Cajuri, nas proximidades do Residencial Cajuri.
Segundo testemunhas, Carlos se dirigia para casa, depois de deixar o serviço, numa horta, quando foi surpreendido por homens que se aproximaram num Fiat/Uno e o abordaram, atiraram várias vezes e ainda desceram do carro e golpearam a vítima com facadas. Ele morreu no local. Segundo a polícia, Carlos é amigo de Bruno Diogo Camilo, preso um dia antes acusado de matar Jonas Sauá. A primeira hipótese é que o crime seria uma retaliação pela morte de Sauá.
Os bandidos fugiram e não foram identificados pela polícia.

 

 

 

Autor: Folha da Mata

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